O que julho me ensinou sobre a minha profissão de terapeuta holística… e sobre mim própria
- Sonia Duarte de Almeida
- 14 août
- 4 min de lecture
IHá meses que passam quase despercebidos.
E depois há aqueles que nos transformam.
Julho foi um desses meses.
Este mês de julho permitiu-me redefinir a minha visão do acompanhamento holístico, mas também compreender melhor a pessoa que desejo ser, tanto na minha vida como na minha prática.

Ao longo dos dias, fui partilhando convosco fragmentos da minha história através de Os Cadernos de um Renascimento, reflexões sobre a minha forma de acompanhar, alguns momentos de viagem, encontros, formações e essas pequenas aprendizagens que a vida, por vezes, coloca no nosso caminho.
Ao dedicar algum tempo a reler todas estas publicações, percebi que, no fundo, todas elas contavam uma única e mesma história.
A minha.
Mas também a de uma mulher que continua a aprender, a evoluir e a redefinir, dia após dia, o que significa realmente ser terapeuta.
Há alguns meses, se me tivessem perguntado o que fazia de mim uma terapeuta, provavelmente teria respondido enumerando as formações que tinha realizado.
Os cuidados energéticos, a hipnose, a psicogenealogia, a comunicação animal, os contactos com os falecidos… Cada nova formação vinha enriquecer a minha prática.
Sentia que estava a ampliar a minha caixa de ferramentas para poder responder da melhor forma possível às necessidades das pessoas que depositavam a sua confiança em mim.
Depois, ao longo das semanas, uma pergunta começou a impor-se.
O que é que faz realmente de alguém um terapeuta?
Será o número de técnicas que domina? Os diplomas expostos na parede? As certificações acumuladas ao longo dos anos?
Ou será outra coisa?
Este mês de julho trouxe-me uma resposta que eu não esperava.
Através dos episódios de Os Cadernos de um Renascimento, mergulhei novamente na minha história. Revisitei memórias, escolhas de vida, períodos de dúvida, recomeços. Ao partilhar estes fragmentos do meu percurso, compreendi que cada um deles tinha moldado muito mais do que a minha vida pessoal: tinha transformado a minha forma de acompanhar os outros.
Ao mesmo tempo, as formações que continuo a realizar hoje continuam a alargar o meu olhar. Ensinam-me novas abordagens, claro, mas, acima de tudo, convidam-me a permanecer curiosa, humilde e aberta. Porque quanto mais aprendo, mais percebo tudo aquilo que ainda há por descobrir.
E depois há a vida.

As paisagens que convidam ao silêncio.
Os animais que nos recordam a simplicidade das coisas essenciais.
Os encontros que, por vezes, acontecem exatamente no momento em que deles precisamos.
As conversas que continuam a ecoar muito depois de terem terminado.
As viagens que nos reconectam tanto às nossas raízes como a nós próprios.
Todos estes momentos, por vezes discretos, tornaram-se verdadeiros ensinamentos.
Levaram-me a uma evidência que nunca tinha formulado de forma tão clara.
Um terapeuta não é uma mala cheia de ferramentas.
As ferramentas são preciosas.
Permitem abrir determinadas portas, explorar diferentes dimensões de uma situação, acompanhar uma pessoa com maior sensibilidade e precisão.
Mas não são o acompanhamento.
São apenas os meios que utilizamos para o realizar.
Posso recorrer a uma sessão de hipnose, propor um trabalho de psicogenealogia, realizar um cuidado energético, uma comunicação animal ou simplesmente oferecer um espaço de escuta.
O que orienta esta escolha nunca é a vontade de utilizar uma técnica em particular.
É a pessoa que tenho diante de mim.
A sua história.
O seu ritmo.
As suas necessidades.
Por vezes, o melhor acompanhamento passa pela utilização de uma ferramenta.
Outras vezes, passa simplesmente por escutar.
Por fazer uma pergunta.
Por oferecer um espaço onde o outro possa, finalmente, pousar aquilo que carrega há tanto tempo.
Esta tomada de consciência mudou profundamente a minha forma de olhar para a minha profissão.
Não quero que as pessoas se tornem dependentes de um terapeuta, de um cuidado ou de uma prática.
O meu desejo é que reencontrem, progressivamente, os seus próprios recursos.
Que descubram que já possuem, dentro de si, grande parte das respostas que procuram.
O meu papel não é caminhar à frente delas.
Nem caminhar por elas.
É simplesmente dar alguns passos ao seu lado, até que recuperem confiança suficiente para prosseguirem o seu próprio caminho.
Na verdade, esta reflexão vai muito além da minha atividade profissional.
Fala também do meu próprio renascimento.
Durante muito tempo, pensei que crescer significava acumular conhecimentos.
Hoje, acredito que crescemos sobretudo quando aceitamos deixar-nos transformar por aquilo que atravessamos.
As alegrias.
As provações.
As partidas.
Os regressos.
Os questionamentos.
Os encontros.
Cada experiência se transforma num ensinamento quando dedicamos tempo a escutá-la.
É provavelmente isso que quero partilhar aqui.
Este espaço não será apenas um lugar onde falarei de terapias ou de espiritualidade.
Será um espaço de reflexão.
Um lugar onde dedicarei tempo a estabelecer pontes entre os acontecimentos do quotidiano e as aprendizagens que estes nos oferecem.
Porque estou convencida de que a vida é a nossa maior formadora.
E de que todos nós somos, à nossa maneira, aprendizes a percorrer o nosso caminho.
Não pretendo ser detentora de verdades.
Partilho simplesmente aquilo que a vida me ensina.
Por vezes, através de uma sessão.
Por vezes, através de uma leitura.
Por vezes, graças a um animal.
Por vezes, durante uma viagem.
Por vezes, simplesmente no silêncio.
Se estas palavras encontrarem eco em si, então desejo-lhe uma coisa: nunca deixe de aprender com a sua própria história.
Porque as respostas mais bonitas nem sempre se encontram no final de uma formação ou nas páginas de um livro.
Muitas vezes, nascem quando aceitamos olhar para a nossa vida com um pouco mais de gentileza, curiosidade e confiança.

É esta convicção que, a partir de agora, dará o ritmo a este espaço.
Duas vezes por mês, dedicarei algum tempo a estabelecer pontes entre os acontecimentos do quotidiano, as reflexões que partilho no Instagram, as minhas aprendizagens e os encontros que vão marcando o meu caminho.
Espero que estas palavras encontrem eco na sua própria história e que possam acompanhá-lo, nem que seja apenas por um instante, no seu caminho.
Até muito em breve para um novo capítulo.

✨ Para ir mais longe…
Se quiser acompanhar o meu dia a dia, as minhas reflexões espontâneas, os episódios de Os Cadernos de um Renascimento ou os bastidores da minha atividade, poderá encontrar-me todas as semanas no Instagram.
Este espaço é o lugar onde dedico tempo a ligar os pontos.
O Instagram é o espaço onde partilho os pequenos momentos que, pouco a pouco, vão construindo esta reflexão.
Será um prazer encontrá-lo por lá.
«Os mais belos ensinamentos não nascem dos acontecimentos, mas dos ecos que deixam em nós. Por vezes, basta aprender a lê-los… entre as linhas.»



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